Traduções NAATI: perguntas frequentes

No mês passado expliquei melhor o que significa ser tradutora certificada pela NAATI (ou tradutora NAATI ou tradutora juramentada NAATI). Reveja a publicação aqui.

Apesar de muitos brasileiros pedirem tradução NAATI a todo momento, vejo que os clientes ainda têm muitas dúvidas e perguntas. Abaixo relaciono algumas perguntas frequentes:

1. As traduções NAATI (traduções juramentadas na Austrália) têm validade?

Não. As traduções feitas pelo tradutor certificado pela NAATI (ou como os brasileiros gostam de chamar, as “traduções juramentadas”) não têm data de validade.

A data de validade que aparece no meu carimbo NAATI (“Valid to”) é a data da minha licença/certificação como tradutora. Ou seja, depois dessa data, preciso revalidar minha certificação e pegar outro carimbo com a NAATI. E, mesmo assim, qualquer tradução feita antes disso é válida para sempre. A data está ali como pra dizer que, na data em que a tradução foi feita (“Translation date”), minha certificação estava válida, ou seja, eu estava apta/certificada a traduzir.

2. Quanto custa para traduzir meus documentos pessoais e acadêmicos, e qual é o prazo?

Apesar de alguns documentos pessoais serem padrão, muitas vezes levam carimbos, autenticações, averbações, apostilas, selos, verso, entre outros, que podem influenciar no preço e no prazo. Os documentos acadêmicos, principalmente os históricos escolares, variam em formato e conteúdo de uma instituição a outra. Por esses e outros motivos, preciso ver e analisar os documentos  para poder passar um orçamento com precisão. Clique aqui para solicitar orçamento.

3. Estou migrando para a Austrália. Quais documentos preciso traduzir para solicitar o visto?

Como tradutora NAATI, sou qualificada apenas a traduzir e não sou qualificada a dar esse tipo de informação sobre vistos e documentos necessários. Essas informações podem ser obtidas com o próprio departamento de imigração, com um agente de imigração ou com um advogado de imigração.

4. Preciso traduzir minha carteira de motorista (ou meu histórico escolar ou antecedentes criminais). Você presta esse tipo de serviço?

Sim. Segue abaixo uma lista dos documentos mais comuns enviados para tradução juramentada NAATI:

  • CNH (carteira de motorista)
  • Certidão de nascimento
  • Certidão de casamento (com ou sem averbação de divórcio)
  • Declaração de união estável
  • Certidão de óbito
  • Diploma e certificado escolar/ acadêmico
  • Histórico escolar
  • Conteúdo programático/ ementas
  • Certidão de antecedentes criminais
  • Extrato bancário
  • Contrato social
  • Contrato de estágio
  • Declaração de IRPF
  • Carta de referência
  • Comprovante de residência
  • Atestado médico/ prescrição médica
  • Certificado de reservista

Tem alguma outra dúvida? Ou precisa de traduções NAATI para seu processo de imigração, reconhecimento da sua profissão na Austrália, processo de candidatura em uma universidade australiana ou qualquer outro motivo? Entre em Contato.

Para ler depoimentos de outros clientes, clique aqui ou leia as avaliações/recomendações no Facebook.

 

 

 

 

 

Tradutor certificado pela NAATI: o que significa?

Na Austrália, para ser tradutor é preciso ter a certificação da NAATI (National Accreditation Authority for Translators and Interpreters), o órgão que testa os tradutores e intérpretes e os certifica a prestar serviços de tradução no país. Muitos (ou talvez todos) os órgãos governamentais, incluindo o departamento de imigração, as instituições de reconhecimento de profissão e muitas instituições de ensino só aceitam traduções se forem traduzidas por um tradutor certificado pela NAATI.

O que quer dizer ser tradutor certificado pela NAATI? Quer dizer que o tradutor passou por uma prova, na qual teve que traduzir dois textos e responder perguntas sobre a ética do tradutor, e foi aprovado. A nota de corte é alta – 70% – e muitos profissionais são reprovados. Uma vez aprovado, o tradutor recebe um carimbo e tem algumas diretrizes a seguir para a entrega de suas traduções em termos de formato, inclusão de certificação e rodapé, além do carimbo, data e assinatura.

O tradutor certificado pela NAATI é, portanto, qualificado para traduzir oficialmente na Austrália. Apesar de não precisar prestar contas, é como se fosse o tradutor juramentado do Brasil, no sentido de que as traduções são oficiais. Por esse motivo, é comum os clientes solicitarem “traduções juramentadas” para enviar à imigração, por exemplo.

Apesar do título de “tradutor certificado pela NAATI” (NAATI-certified translator), às vezes não fica claro para muitas pessoas o que realmente faz o tradutor NAATI ou tradutor juramentado NAATI, como também somos conhecidos entre os brasileiros. Recebo e-mails de clientes pedindo para eu autenticar cópias (como JPJustice of the Peace, ou juiz de paz) e até mesmo perguntando se redijo procurações. No entanto, como tradutora NAATI, sou apenas tradutora e não JP nem tabeliã. Procurações devem ser feitas em cartório ou, no caso de o cidadão brasileiro residir na Austrália, a procuração pode ser feita via processo consular. O que faço, como tradutora NAATI, é traduzir a procuração ou o documento autenticado, então, primeiro, o cliente deve ter os documentos prontos e depois me enviar para que eu prepare a tradução oficial com certificação, carimbo e assinatura.

Precisa de traduções NAATI para seu processo de imigração, reconhecimento da sua profissão na Austrália, processo de candidatura em uma universidade australiana ou qualquer outro motivo? Entre em Contato.

Usando a comunicação não-violenta com agências e clientes

Nesses anos de trabalho, tenho reparado que importante é tentar ser um parceiro da agência de tradução com a qual trabalhamos, e não meramente um tradutor autônomo que faz parte do banco de talentos de tal agência. O que quero dizer com isso não é que temos que ter um contrato diferenciado ou nos apresentarmos como “parceiro” de tal agência. A ideia de “parceria” está na nossa atitude para com o(s) gerente(s) de projeto e outros integrantes da agência.

Essa atitude diferente pode ser demonstrada de várias maneiras ao realizar um trabalho para a agência. Para mim, acho importante demonstrar que a gente se importa com o resultado final, e não com a fama de ser melhor do que o revisor ou qualquer outro tradutor. Isso quer dizer que, se você pegou um trabalho ruim ou mal traduzido para arrumar, ou está revisando um trabalho de outro colega, ou o texto original está muito mal escrito (ou veio pessimamente traduzido de outro idioma), a melhor maneira de lidar com o caso, na minha opinião, é mostrar que você se importa com a tradução final e você quer ver o cliente feliz. Para isso, talvez você precise de mais prazo ou de uma tarifa maior para aquele projeto, que o texto seja devolvido ao tradutor inicial para revisão extra ou que o cliente seja avisado que o texto original não está com a qualidade tão boa e, por isso, a tradução pode também sofrer.

Recentemente, recebi um glossário para ser revisado para um cliente novo de uma agência, e a estimativa de 1 hora para a revisão ortográfica e gramatical dos termos acabou virando quase 2 horas e meia, pois a tradução não estava boa. Aliás, era perceptível que não houve nenhum tipo de pesquisa por parte do tradutor: as traduções não eram nada relevantes ao contexto, as siglas foram mal interpretadas, etc., apesar de todos os termos serem encontrados facilmente no site da empresa em questão. Por conta da diferença de horário com a agência, eu não podia simplesmente deixar de retraduzir quase todos os termos do glossário e esperar o dia seguinte para falar com a gerente de projetos. Fiz o meu trabalho, tendo na mente o cliente final e o projeto que estaríamos começando em seguida. E, para esse projeto, o glossário era parte essencial. Fiz meu trabalho e, ao enviar o glossário revisado (ou melhor, retraduzido), com ele enviei uma observação dizendo que revisar o trabalho foi frustrante, pois percebi que os termos traduzidos não eram relevantes à área (salientei que os termos foram facilmente encontrados no site do cliente), portanto o trabalho não se limitou apenas à revisão gramatical e ortográfica, e acabou incluindo pesquisa e validação terminológica e retradução de quase todo o arquivo. E descrevi o cálculo do meu pagamento, dizendo o quanto na realidade aquele trabalho tinha me custado, devido ao meu tempo extra arrumando o arquivo.

Comunicar algo assim para um gerente de projeto pode ser difícil, e sou contra mandarmos um e-mail com uma mistura de ataques ao outro tradutor, reclamações e ordens exageradas. Vira e mexe temos um pé atrás de que a agência quer sacanear a gente e que o gerente de projeto é um monstro e não vai querer nos ajudar. No entanto, eu acredito que, se nos comunicarmos de forma carinhosa, empática e compassiva, sem esses receios e sem deixar as emoções interfirirem na mensagem, temos mais chance de obter o que queremos ou, ao menos, começar a criar uma parceria com a agência através de uma comunicação limpa e não-violenta.

A comunicação não-violenta é uma abordagem desenvolvida por Marshall Rosemberg que segue uma estrutura baseada em quatro pilares:

  1. Observação: observar os fatos sem fazer julgamento
  2. Sentimentos: identificar os sentimentos em relação à situação
  3. Necessidades: identificar quais necessidades estão associadas a esses sentimentos
  4. Pedidos: pedir certas ações para atender às necessidades identificadas

Veremos, para o exemplo acima da revisão do glossário, como a comunicação não-violenta foi aplicada:

Observação: a tradução estava com uma qualidade ruim e eu, como revisora, fiz o trabalho de pesquisa dos termos, que deveria ter sido feita pelo tradutor. Observe que não há ataques ao outro tradutor (se ele é ruim, descuidado, etc.).

Sentimento: como me senti frustrada por reservar uma hora para o trabalho, mas ter gasto mais que o dobro e ter feito um trabalho que não estava dentro do escopo da revisão.

Necessidade: da próxima vez, preciso saber que o trabalho de revisão envolverá também pesquisa dos equivalentes terminológicos, não somente uma revisão de gramática, ortografia e verificação de algum deslize do tradutor (que, claro, pode acontecer; não espero que a tradução venha 100% sem nenhuma falha), assim não me sentirei tão frustrada e podemos estimar o tempo necessário para o projeto com mais precisão.

Pedido: que a agência cobrisse, se possível, o tempo total que gastei no trabalho e que da próxima vez fosse mais clara quanto às instruções e o escopo do trabalho.

Resultado: me tornei a nova tradutora primária dentro da agência para aquele cliente específico. A agência me agradeceu pelo feedback (relatado no fato/observação) e que passaria o feedback ao tradutor; se lamentou por eu me sentir frustrada e agradeceu minha dedicação e meus insights (isso possível de acordo com a descrição de como me senti); se dispôs a aumentar o valor pago pelo trabalho para cobrir as horas extras e me informou que de agora em diante eu seria a tradutora primária quando o cliente solicitasse traduções.

A reação da agência provavelmente teria sido outra se eu tivesse escrito algo do tipo: “O tradutor mandou um trabalho muito ruim, refiz todo o trabalho, não é justo receber pelo o que fiz, nunca mais quero trabalhar com esse tradutor e nunca mais pegarei trabalhos de revisão.” Eu sei que nem todos escreveriam assim, mas, às vezes, dependendo de como você se comunica, é assim que a outra parte lê a sua comunicação.

Da forma como escrevi, a comunicação com a gerente de projeto foi empática, de parceria, e não repleta de ataques, ordens nem reclamações. E, assim, me rendeu um relacionamento de lealdade com a agência e com o novo cliente.

 

Tópicos para 2019

2019 sug

Feliz ano novo a todos! 🙂

Espero que todos estejam com as energias renovadas, e que o ano seja repleto de muitas traduções.

Não consegui estar muito ativa no blog no ano passado. Mas gostaria de escrever mais pra vocês neste ano. Por isso, gostaria de saber sobre o que vocês gostariam de ler aqui no blog. Escrevam pra mim contando os temas sobre os quais gostariam que eu escrevesse – qualquer coisa relacionada com tradução, transcriação, localização e afins. Farei o possível para publicar posts sobre os assuntos sugeridos (de acordo com o que eu conhecer sobre cada tema).

Feliz com qualquer contribuição 🙂 Aguardo as sugestões de vocês.

 

Foto: NordWood

Pesquisa no Google: dicas

Muita gente pensa que tradutor tem vários dicionários na cabeça e sabe tudo de cor e salteado. Porém muitos não sabem que uma parte importante do trabalho do tradutor é a pesquisa. Pesquisar por definição de termos no original, pesquisar por possíveis equivalentes na língua de chegada, pesquisar sites da área que possivelmente usam a terminologia específica, pesquisar imagens para ver se correspondem ao termo de origem e de chegada… há isso e muito mais às vezes para pesquisar ao traduzir.

O blog do HubSpot publicou esta matéria um tempo atrás com “14 dicas para pesquisar no Google como um especialista”. Muitas delas são úteis para nós, tradutores, e agilizam nosso trabalho de pesquisa, nos deixando mais tempo para as demais etapas da tradução. Vale a pena conferir 🙂

Crédito da imagem: rawpixel

Uso da vírgula com a conjunção “e”

Diferença de uso da vírgula em enumeração no inglês e no português

Veja este post sobre o uso da vírgula antes da conjunção “e” no blog Revisão para quê?. Eu li há um tempo e pensei em vir aqui escrever um post rapidinho sobre isso para chamar a atenção para uma regra diferente no inglês (ao concluir uma enumeração), que muitas vezes é copiada erroneamente na tradução ao português.

Vejamos o ponto abaixo colocado pela Carol Machado do blog em questão:

Quando não usar vírgula antes do e

Casos em que devemos dispensar a vírgula:

Quando o e conclui uma enumeração:

  • Várias línguas— francês, italiano, alemão e rético — se falam na Suíça.
  • Eis três mulheres bíblicas: Sara, Rebeca e Lia.

Exemplos retirados de Rocha Lima (2011, p. 317).

Note acima que, no português, a vírgula não deve ser usada ao concluir uma enumeração. No inglês, a vírgula é geralmente usada antes do último item enumerado. Ou, mais especificamente, antes do ‘and’ na enumeração. Por exemplo:

  • Last night, I had a salad, rice, fish, and lentils for dinner.
  • My closest friends: Maria, Kris, and Bella.

Por que estou tocando nesse ponto? Porque, como sabem, reviso muita tradução de colegas e vejo, cada vez mais, que os tradutores ignoram a regra do português e seguem a pontuação do original, incluindo a vírgula ao concluir a lista de itens enumerados. Isso resulta em frases com a vírgula usada incorretamente antes da conjunção “e”, como abaixo:

  • Ontem à noite, comi salada, arroz, peixe, e lentilhas no jantar. (uso incorreto)
  • Minhas amigas mais chegadas: Maria, Kris, e Bella. (uso incorreto)

Como explicado pelo Revisão para quê?, essa última vírgula na enumeração antes da conjução “e” não existe. Por isso falei que o post seria rapidinho – só para vir lembrá-los dessa diferença entre o português e inglês.

Obs: Sempre gosto de ressaltar que esses apontamentos não são para criticar os colegas tradutores, mas para lembrá-los das diferenças entre o português e o inglês, e, assim, ajudá-los a melhorar a qualidade de suas traduções.

 

Falando sobre a profissão no The Migration Show

Notícia rápida: duas semanas atrás, fui convidada para falar no podcast The Migration Show, apresentado pelos agentes de imigração Monica Gruszka e Mark Northam. O episódio foi ao ar na semana passada e, animada, venho aqui compartilhar com vocês. No link acima, a partir do minuto 40:30, vocês podem me ouvir falando sobre como nós, tradutores, e os agentes de imigração podem trabalhar melhor juntos, como sinto que as pessoas não dão o devido valor aos serviços de tradução, e as vantagens de se trabalhar com tradutores individuais. Espero que curtem! (O podcast também pode ser ouvido em um app de podcast no celular).