Falando sobre a profissão no The Migration Show

Notícia rápida: duas semanas atrás, fui convidada para falar no podcast The Migration Show, apresentado pelos agentes de imigração Monica Gruszka e Mark Northam. O episódio foi ao ar na semana passada e, animada, venho aqui compartilhar com vocês. No link acima, a partir do minuto 40:30, vocês podem me ouvir falando sobre como nós, tradutores, e os agentes de imigração podem trabalhar melhor juntos, como sinto que as pessoas não dão o devido valor aos serviços de tradução, e as vantagens de se trabalhar com tradutores individuais. Espero que curtem! (O podcast também pode ser ouvido em um app de podcast no celular).

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31/05/2018 · 02:21

Sobre traduzir e suas sutilezas

Hoje compartilho com vocês a entrevista feita pela querida Carol Alberoni, do blog Carol’s Adventure in Translation, com a aclamada tradutora australiana Alison Entrekin, que traduziu do português ao inglês difíceis obras literárias brasileiras. Não só admiro muito o trabalho da Alison, como acho que ela muitas vezes fala de coisas muito sutis em suas entrevistas, desta vez como entender a pontuação das línguas com que se trabalha (e usá-la de forma que faça sentido nas línguas em questão, principalmente na de chegada para o tradutor). Reconhecer essas sutilezas faz parte do trabalho de um tradutor de qualidade, não só do tradutor literário.

You have to analyse the context and ask questions: How does this piece flow? Who is speaking? Does this comma cause readers of the translation to pause where readers of the original keeping going? Does it change the rhythm or tone?

E, para não pensarem que a dica que sempre dou de ler a tradução em voz alta é coisa banal, a Alison também fala a mesma coisa:

If you can, read your translation out loud, listening for glitches, sense, transitions, alliteration that isn’t supposed to be there.

E reforça também a importância de revisar a tradução várias vezes:

Revise, revise, revise. When in doubt, revise again.

Essas dicas são maravilhosas não apenas para quem esteja traduzindo literatura, mas qualquer gênero textual.

Leia a entrevista completa, em inglês, aqui. A entrevista faz parte da série de entrevistas Greatest Women in Translation do blog da Carol.

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13/05/2017 · 04:57

Artigo indefinido ao traduzir profissões

Uma das minhas observações recentes ao revisar traduções de colegas revela que há muita confusão no uso dos artigos ao traduzir do inglês ao português. É válido lembrar que o inglês usa determinado artigo que às vezes não é necessário na tradução ao português. Ou, ainda, o inglês não usa artigo, mas ao traduzir para o português precisamos incluir tal elemento.

Um dos casos em que o inglês usa o artigo, mas o português não é ao indicar profissões no singular.

Por exemplo:
I am a translator. Sou tradutora.

Veja que a tradução não é Sou uma tradutora. Como já dei a dica aqui antes, é só pensarmos ou lermos em voz alta. Se alguém perguntar para você em português qual é sua profissão, você responderia “Sou um tradutor” ou “Sou tradutor”?

Outros exemplos:
He’s a writer. Ele é escritor. (Incorreto: Ele é um escritor).

She wants to work as a teacher next year. Ela quer trabalhar como professora no ano que vem. (Incorreto: Ela quer trabalhar como uma professora no ano que vem).

No entanto, se houver um adjetivo, então o artigo será necessário:

She’s a famous actress. Ela é uma atriz famosa.

Bom, espero que os colegas que têm feito as traduções que eu reviso vejam este post 🙂 e notem a diferença nas suas traduções. Semana passada revisei uma tradução de 80 mil palavras que seguia sempre os mesmo artigos do original em todas as ocasiões e exigiu algumas boas alterações, e hoje revisei mais um projeto em português que estava cheio desses artigos indefinidos ao apresentar os funcionários de uma empresa e suas aspirações de carreira. Não é crítica, porém mais uma dica para que os colegas possam aprimorar seus dotes tradutórios. E repito, mais uma vez, leiam suas traduções em voz alta, fazendo de conta que é você que está falando aquilo. Ao fazer essa leitura com atenção, com certeza dá para notar que algumas traduções literais ou palavra por palavra não caem bem.

Desejo a todos uma boa passagem de ano. Que 2017 seja um ano repleto de traduções e uso correto de artigos 🙂

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28/12/2016 · 05:36

Troca de e-mails e nome de arquivos

Estava querendo escrever sobre este assunto há algumas semanas. Talvez seja um tópico básico para alguns, mas dadas as minhas recentes observações nas trocas de mensagens, acho que vale a pena relembrar. Por isso, aqui vão duas dicas, uma de comunicação com clientes, agências e colegas por e-mail, e outra de organização/nome de arquivos:

  1. Mantenha o assunto do e-mail. Vejo que alguns colegas, quando se comunicam comigo por e-mail, alteram o assunto do e-mail que estamos trocando. Se eu mandei um e-mail com o assunto “Terminologia – dúvida”, não altere a linha de assunto para “Oiii – aqui vai minha resposta!!”. Ao fazer isso, todo o thread da conversa se perde. E se um dia eu quiser tentar achar esse thread ou a sua resposta na minha inbox ou nas pastas, vai ser muito mais difícil. Essa prática de mudar o assunto do e-mail deve ter se tornado comum, pois percebi que as agências agora estão colocando um lembrete em suas comunicações pedindo para que a linha de assunto não seja alterada. Imagine a agência negociando com você um serviço; vocês trocam e-mails e mais e-mails com o assunto “Tradução EN-PT – Marketing” e, do nada, você responde que aceitará a proposta com o assunto “Bom dia! Pode contar comigo!!”. Não só é deselegante ter uma linha de assunto assim como essa, como também é confuso; pense na agência recebendo um e-mail solto, sem o thread de mensagens vindo colado atrás. Ou, imagine, você já entregou a tradução e, por não ter recebido confirmação da entrega, você escreve para seu gerente de projetos para saber se ele recebeu o arquivo. Se você mandar um e-mail solto “Tradução – recebeu?”, a agência, com tantos clientes e tradutores e projetos e arquivos, não é obrigada a saber do que se trata. Em casos como esse, volte lá no e-mail inicial “Tradução EN-PT – Marketing” e responda lá, após a última mensagem que vocês trocaram.
  2. Mantenha o nome do arquivo. Se o cliente, agência ou colega lhe enviou um arquivo sobre petróleo para traduzir, cujo nome é “Time_50432_tradução.doc”, não entregue o arquivo para a agência com o nome “Petróleo – agencia X.doc” ou qualquer outro nome. Em geral, as agências têm seu próprio padrão de nomenclatura dos arquivos, que pode incluir o nome do projeto, o código do cliente, o número da ordem de serviço, o tipo de serviço, etc. Isso serve para facilitar o armazenamento e consulta dos documentos; é uma questão de organização. Pense que a agência pode receber vários arquivos em um dia de vários clientes e tradutores diferentes, e um mesmo arquivo pode ter sido enviado para tradutores de pares de idiomas diferentes. Dessa forma, ao mudar o nome do arquivo (e também do assunto, como dito acima!), a agência ou o cliente pode ficar confuso e até cobrar a entrega horas depois do prazo, achando que você não entregou a tradução ainda. Novamente, vejo cada vez mais as agências passando instruções sobre como nomear ou como não se deve alterar o nome dos arquivos. O máximo, por vezes, que é recomendado fazer, caso a agência não passe nenhuma instrução, é acrescentar o idioma de chegada ao final do nome. Por exemplo, se você traduziu o arquivo acima para o português, pode acrescentar PT ou BR-PT ao final: “Time_50432_tradução_BR-PT.doc”. Assim, fica até mais fácil para você identificar no seu computador que esse é o arquivo traduzido, enquanto o outro sem o código do idioma é o original.

Espero que essas duas dicas nos ajudem a termos trocas de comunicações mais organizadas 🙂

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31/10/2016 · 21:26

Semana de boas notícias

Esta semana foi de boas notícias.

Primeiro, recebi um feedback lindo de um cliente de hotelaria, referente a um projeto no qual eu trabalho desde o ano passado. Disse o cliente que a qualidade das traduções está ótima e que não tem encontrado nada incorreto nas traduções enviadas. Yaaaay!!! Sempre bom quando toda a dedicação e atenção dada a escrever traduções de qualidade tem um reconhecimento.

Depois, o texto sobre como os tradutores podem se beneficiar da prática de yoga, que escrevi inicialmente para o Carol’s Adventures in Translation, foi agora publicado na NAATI News, página da NAATI (associação de credenciamento de tradutores da Austrália) com conteúdo escrito por profissionais do ramo.

Ainda tem também o Programa de Mentoria da ABRATES, cujas sessões começaram nesta semana e sou uma das mentoras! Mais sobre o assunto virá em outro post daqui a uns dias. Até lá!

 

 

 

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14/10/2016 · 01:12

Entendimento do texto original

Todo mundo sabe que dominar a terminologia da área na qual se trabalha é importante. Porém não podemos esquecer de algo fundamental: entender o texto de origem; compreender o que a frase, o trecho ou o parágrafo a ser traduzido quer dizer.

Antes de buscar usar as palavras equivalentes no idioma de chegada, é importante primeiro conseguir interpretar o que o texto está dizendo e, a partir daí, construir a tradução, fazendo uso das palavras e dos termos mais adequados para essa interpretação. Lembram do que já discuti aqui sobre a função do texto original? Quando entendemos a função do texto original, fica mais fácil interpretar os detalhes e traduzir a ideia, não apenas cada palavra.

Mas sem entrar na teoria funcionalista, gostaria de destacar a importância de entendermos a essência de, por exemplo, uma frase. Se o texto original fala “Guests will enjoy a complimentary drink in the lobby at check in”, talvez mais do que achar o termo certo para “lobby” (saguão, lobby, etc.), é entender que, ao chegarem no hotel, os hóspedes são recebidos com uma bebida. A ênfase aqui não é no lugar onde o drink é oferecido – de certa forma, pouco importa se é no lobby, no balcão da recepção ou no balcão do concierge. O que deve chamar atenção é o benefício oferecido ao hóspede. Assim, “in the lobby at check in” pode até virar um simples “na chegada” na tradução, se o texto permitir. De nada adiantaria traduzir “lobby” corretamente nessa frase de acordo com o mercado e a preferência do cliente, e então errar no “complimentary drink”, traduzindo como “bebida complementar” ou outra tradução das que vemos por aí. Entendem o que quero dizer?

Ontem em um grupo no Facebook, uma colega perguntou sobre a tradução de “leitos” para o inglês, dentro da área de hotelaria. Acertadamente, colegas apontaram que nos EUA usa-se mais “quarto” (room) como métrica do que “leito” (bed), e outros colegas, alguns não especializados em hotelaria, ainda intervieram para explicar como uma reserva em um hotel no país americano se dava por quarto de acordo com os tipos de cama, ou como a contagem nesse país é por quartos por noite, não por leitos. Tomando por base a ideia da frase original, que dizia algo como “A pesquisa aponta um déficit nos leitos oferecidos em relação à demanda”, o destaque aqui não são os leitos e se deveriam ser quartos ou não na tradução. A ideia é que, em certa região, há mais hóspedes do que lugares para eles dormirem e, portanto, há oferta hoteleira insuficiente para o tanto de procura. Vejam que, nesse caso, de nada adiantaria buscar o termo equivalente perfeito sem entender o que a frase quer dizer (e isso podendo provavelmente impactar no resto da tradução). Ou seja, mesmo se nos EUA o uso estatístico for baseado em “quartos”, ao interpretarmos essa frase entendemos que a questão não é usar o termo mais comum no país de chegada; importa destacar a ideia de que há menos oferta no setor para tal demanda.

Espero que este post nos ajude a lembrar que não somente traduzimos palavras, mas entendemos o contexto e interpretamos o texto, sua função e sua ideia central.

Obs: sei que, em alguns textos e contextos, e, em algumas áreas, usar o termo equivalente direto é fundamental e nem todas as especialidades permitem essa liberdade na hora de traduzir.

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09/10/2016 · 23:03

TradTalk, novo podcast de tradução

A Caroline Alberoni, da Alberoni Translations, teve a linda ideia de lançar um podcast de tradução, o TradTalk. Eu estou super animada com o TradTalk, não só porque a Carol lançará uma entrevista por mês com tradutores diferentes, mas também porque tive a honra de ser a primeira entrevistada. 🙂

Vocês podem conferir o nosso bate-papo aqui. Uma das inovações da Carol no TradTalk é que, além do áudio, ela também gravará as entrevistas. Portanto, é possível acompanhar os episódios pelo celular ou tablet através do iTunes ou aplicativos para Android, ou assistir aos vídeos no canal no YouTube.

Nesse nosso episódio, falei um pouco da minha trajetória na tradução, como fiz o caminho inverso feito por muitos tradutores – vim de outra área e caí na tradução -, e como acabei integrando minha primeira formação, minhas paixões e áreas de interesse na profissão de tradutora. Espero que gostem!

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07/07/2016 · 08:46