5 dicas para agilizar o processo de tradução

Tem tanta coisa acontecendo na sua vida na Austrália – você tem que estudar, trabalhar, se preocupar com visto e se vai dar para imigrar. Na hora de reconhecer a profissão e/ou solicitar visto, são tantos documentos nos quais pensar e para separar. Às vezes é preciso acionar pessoas lá no Brasil para tirar aquela certidão de que você precisa ou depender da boa vontade de ex-chefes e ex-empresas para te escrever aquela carta de recomendação com todas as informações requeridas e dentro do prazo para você ainda mandar traduzir.

Então, como agilizar o processo de tradução de forma que essa seja uma etapa rápida e tranquila, assim você pode focar nas outras atividades do seu processo de visto?

Aqui vão 5 dicas para agilizarmos o processo já desde o primeiro contato:

1. Anexe seus documentos já no primeiro contato. Ao entrar em contato com o tradutor, já envie uma cópia dos seus documentos por e-mail para orçamento. Pedir orçamento por telefone ou mensagem de áudio no WhatsApp ou Messenger só adiciona uma etapa a mais no processo. Por quê? Porque nós, tradutores, temos que ver os documentos para passar o valor e o prazo exatos. Alguns documentos são padrão, é verdade, como CNH, alguns antecedentes criminais e RG, porém outros documentos podem variar em termos de volume de texto, carimbos, apostilas, autenticações, anotações, etc. Nem só informar o número de páginas ajuda, pois algumas páginas têm mais ou menos texto que outras, e, pra sermos justos e precisos, temos que analisar cada uma. Assim, já vá direto ao assunto e mande os documentos anexados por e-mail. Vale dizer que toda a confidencialidade é mantida, mesmo se você não desejar prosseguir com tal tradutor. Nós, tradutores, seguimos o Código de Ética do tradutor, e Confidencialidade é um dos princípios do código.

2. Mencione se você precisa de tradução completa ou resumida. Alguns documentos não precisam que todas as informações sejam traduzidas. Pense num extrato bancário, por exemplo, às vezes com mensagens do banco ao cliente e várias páginas de transações quando na verdade você só precisa comprovar o saldo. Ou um contrato social com várias cláusulas não relevantes ao seu processo, sendo que você só precisa comprovar que era sócio daquela empresa, a qual tinha como escopo certas atividades específicas. Assim, o tradutor pode fazer uma ‘extract translation’, ou tradução resumida, na qual extrai as informações relevantes para serem traduzidas. Em outros casos, a tradução precisa mesmo ser na íntegra. Se a tradução resumida servir pra você, informe quais informações devem ser extraídas para tradução (uma boa maneira é destacar ou sublinhar as informações no documento). A escolha entre tradução completa e resumida pode influenciar no custo e no prazo.

3. Mencione se você tem um prazo em mente. Apenas dizer que precisa da tradução com urgência não ajuda muito. Na correria dos processos de visto, muita gente acaba querendo a tradução o mais rápido possível pra poder dar conta de tudo. Informe se o departamento de imigração, o seu agente/advogado de imigração, a universidade, o órgão de reconhecimento ou quem for te deu um prazo para o envio dos documentos. Talvez, em um prazo super apertado, o tradutor não consiga te atender, e aí você não perde tempo entrando em contato, aguardando orçamento, pra depois ver que não está no seu prazo (e o tradutor também não perde tempo analisando documentos e preparando o orçamento). Ou talvez o tradutor, já sabendo do seu prazo, consegue te passar uma especial para conseguir te atender e tudo já fica agilizado.

4. Mencione se você precisa da tradução impressa também ou só do PDF. A maioria dos vistos (se não todos, não estou certa) é solicitada online. Ou seja, você faz o upload dos seus documentos, incluindo as traduções, online. Então, talvez você só queira/precise da tradução em PDF, o que pode ser mais barato e mais rápido. Não tem problemas se você deseja guardar a via impressa pros seus registros também. Mas tenha em mente que o tradutor tem custo de impressão e carimbo ao imprimir as traduções, e isso pode alterar o valor final da tradução e o prazo (dependendo do número de páginas, pode levar tempo para carimbar e assinar tudo).

5. Mencione se os títulos das bibliografias devem ser traduzidos no caso de planos de ensino e conteúdo programático. Alguns órgãos de reconhecimento querem entender quais materiais didáticos foram usados no curso que você fez e pedem para os títulos serem traduzidos. A responsabilidade de saber se a bibliografia deve ser traduzida ou não é sua; busque a informação com o órgão de reconhecimento da sua profissão. E, claro, traduzir ou não a bibliografia afetará o valor e o prazo.

Já está com os documentos em mãos e precisa de tradução? Mande uma cópia deles pro meu e-mail (sofia.pulici@gmail.com) lembrando de passar as informações acima para agilizarmos o processo 🙂

Palestra: Localização e Transcriação

É com enorme contentamento que divulgo aqui que fui convidada pelo Instituto Australiano de Intérpretes e Tradutores (AUSIT), filial do estado de Queensland, para dar uma apresentação na 9ª. Miniconferência Anual. Embora muita coisa esteja acontecendo na minha vida neste momento, eu não pude resistir e aceitei o convite. É uma super honra ser convidada para compartilhar minha experiência e um pouco do meu conhecimento sobre o fantástico mundo da tradução com os colegas tradutores aqui na Austrália.

Na minha palestra, falarei sobre Localização e Transcriação. Essas são duas modalidades da tradução com as quais eu trabalho há alguns anos, e, conversando com colegas tradutores aqui, vi um interesse grande sobre o assunto. Darei uma definição breve das duas modalidades e, em seguida, mostrarei exemplos de textos que localizei para sistemas de reconhecimento de voz e discutiremos a transcriação de dois textos criativos.

A palestra ocorrerá no dia 8 de junho às 11:15, no Centro Multicultural de Queensland em Brisbane. Mais detalhes nas imagens 🙂

 

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Traduções NAATI: perguntas frequentes

No mês passado expliquei melhor o que significa ser tradutora certificada pela NAATI (ou tradutora NAATI ou tradutora juramentada NAATI). Reveja a publicação aqui.

Apesar de muitos brasileiros pedirem tradução NAATI a todo momento, vejo que os clientes ainda têm muitas dúvidas e perguntas. Abaixo relaciono algumas perguntas frequentes:

1. As traduções NAATI (traduções juramentadas na Austrália) têm validade?

Não. As traduções feitas pelo tradutor certificado pela NAATI (ou como os brasileiros gostam de chamar, as “traduções juramentadas”) não têm data de validade.

A data de validade que aparece no meu carimbo NAATI (“Valid to”) é a data da minha licença/certificação como tradutora. Ou seja, depois dessa data, preciso revalidar minha certificação e pegar outro carimbo com a NAATI. E, mesmo assim, qualquer tradução feita antes disso é válida para sempre. A data está ali como pra dizer que, na data em que a tradução foi feita (“Translation date”), minha certificação estava válida, ou seja, eu estava apta/certificada a traduzir.

2. Quanto custa para traduzir meus documentos pessoais e acadêmicos, e qual é o prazo?

Apesar de alguns documentos pessoais serem padrão, muitas vezes levam carimbos, autenticações, averbações, apostilas, selos, verso, entre outros, que podem influenciar no preço e no prazo. Os documentos acadêmicos, principalmente os históricos escolares, variam em formato e conteúdo de uma instituição a outra. Por esses e outros motivos, preciso ver e analisar os documentos  para poder passar um orçamento com precisão. Clique aqui para solicitar orçamento.

3. Estou migrando para a Austrália. Quais documentos preciso traduzir para solicitar o visto?

Como tradutora NAATI, sou qualificada apenas a traduzir e não sou qualificada a dar esse tipo de informação sobre vistos e documentos necessários. Essas informações podem ser obtidas com o próprio departamento de imigração, com um agente de imigração ou com um advogado de imigração.

4. Preciso traduzir minha carteira de motorista (ou meu histórico escolar ou antecedentes criminais). Você presta esse tipo de serviço?

Sim. Segue abaixo uma lista dos documentos mais comuns enviados para tradução juramentada NAATI:

  • CNH (carteira de motorista)
  • Certidão de nascimento
  • Certidão de casamento (com ou sem averbação de divórcio)
  • Declaração de união estável
  • Certidão de óbito
  • Diploma e certificado escolar/ acadêmico
  • Histórico escolar
  • Conteúdo programático/ ementas
  • Certidão de antecedentes criminais
  • Extrato bancário
  • Contrato social
  • Contrato de estágio
  • Declaração de IRPF
  • Carta de referência
  • Comprovante de residência
  • Atestado médico/ prescrição médica
  • Certificado de reservista

Tem alguma outra dúvida? Ou precisa de traduções NAATI para seu processo de imigração, reconhecimento da sua profissão na Austrália, processo de candidatura em uma universidade australiana ou qualquer outro motivo? Entre em Contato.

Para ler depoimentos de outros clientes, clique aqui ou leia as avaliações/recomendações no Facebook.

 

 

 

 

 

Tradutor certificado pela NAATI: o que significa?

Na Austrália, para ser tradutor é preciso ter a certificação da NAATI (National Accreditation Authority for Translators and Interpreters), o órgão que testa os tradutores e intérpretes e os certifica a prestar serviços de tradução no país. Muitos (ou talvez todos) os órgãos governamentais, incluindo o departamento de imigração, as instituições de reconhecimento de profissão e muitas instituições de ensino só aceitam traduções se forem traduzidas por um tradutor certificado pela NAATI.

O que quer dizer ser tradutor certificado pela NAATI? Quer dizer que o tradutor passou por uma prova de habilidades culturais, uma prova de ética e uma prova específica de tradução. Uma vez aprovado, o tradutor recebe um carimbo e tem algumas diretrizes a seguir para a entrega de suas traduções em termos de formato, inclusão de certificação e rodapé, além do carimbo, data e assinatura.

O tradutor certificado pela NAATI é, portanto, qualificado para traduzir oficialmente na Austrália. Apesar de não precisar prestar contas, é como se fosse o tradutor juramentado do Brasil, no sentido de que as traduções são oficiais. Por esse motivo, é comum os clientes solicitarem “traduções juramentadas” para enviar à imigração, por exemplo.

Apesar do título de “tradutor certificado pela NAATI” (NAATI-certified translator), às vezes não fica claro para muitas pessoas o que realmente faz o tradutor NAATI ou tradutor juramentado NAATI, como também somos conhecidos entre os brasileiros. Recebo e-mails de clientes pedindo para eu autenticar cópias (como JPJustice of the Peace, ou juiz de paz) e até mesmo perguntando se redijo procurações. No entanto, como tradutora NAATI, sou apenas tradutora e não JP nem tabeliã. Procurações devem ser feitas em cartório ou, no caso de o cidadão brasileiro residir na Austrália, a procuração pode ser feita via processo consular. O que faço, como tradutora NAATI, é traduzir a procuração ou o documento autenticado, então, primeiro, o cliente deve ter os documentos prontos e depois me enviar para que eu prepare a tradução oficial com certificação, carimbo e assinatura.

Precisa de traduções NAATI para seu processo de imigração, reconhecimento da sua profissão na Austrália, processo de candidatura em uma universidade australiana ou qualquer outro motivo? Entre em Contato.

Usando a comunicação não-violenta com agências e clientes

Nesses anos de trabalho, tenho reparado que importante é tentar ser um parceiro da agência de tradução com a qual trabalhamos, e não meramente um tradutor autônomo que faz parte do banco de talentos de tal agência. O que quero dizer com isso não é que temos que ter um contrato diferenciado ou nos apresentarmos como “parceiro” de tal agência. A ideia de “parceria” está na nossa atitude para com o(s) gerente(s) de projeto e outros integrantes da agência.

Essa atitude diferente pode ser demonstrada de várias maneiras ao realizar um trabalho para a agência. Para mim, acho importante demonstrar que a gente se importa com o resultado final, e não com a fama de ser melhor do que o revisor ou qualquer outro tradutor. Isso quer dizer que, se você pegou um trabalho ruim ou mal traduzido para arrumar, ou está revisando um trabalho de outro colega, ou o texto original está muito mal escrito (ou veio pessimamente traduzido de outro idioma), a melhor maneira de lidar com o caso, na minha opinião, é mostrar que você se importa com a tradução final e você quer ver o cliente feliz. Para isso, talvez você precise de mais prazo ou de uma tarifa maior para aquele projeto, que o texto seja devolvido ao tradutor inicial para revisão extra ou que o cliente seja avisado que o texto original não está com a qualidade tão boa e, por isso, a tradução pode também sofrer.

Recentemente, recebi um glossário para ser revisado para um cliente novo de uma agência, e a estimativa de 1 hora para a revisão ortográfica e gramatical dos termos acabou virando quase 2 horas e meia, pois a tradução não estava boa. Aliás, era perceptível que não houve nenhum tipo de pesquisa por parte do tradutor: as traduções não eram nada relevantes ao contexto, as siglas foram mal interpretadas, etc., apesar de todos os termos serem encontrados facilmente no site da empresa em questão. Por conta da diferença de horário com a agência, eu não podia simplesmente deixar de retraduzir quase todos os termos do glossário e esperar o dia seguinte para falar com a gerente de projetos. Fiz o meu trabalho, tendo na mente o cliente final e o projeto que estaríamos começando em seguida. E, para esse projeto, o glossário era parte essencial. Fiz meu trabalho e, ao enviar o glossário revisado (ou melhor, retraduzido), com ele enviei uma observação dizendo que revisar o trabalho foi frustrante, pois percebi que os termos traduzidos não eram relevantes à área (salientei que os termos foram facilmente encontrados no site do cliente), portanto o trabalho não se limitou apenas à revisão gramatical e ortográfica, e acabou incluindo pesquisa e validação terminológica e retradução de quase todo o arquivo. E descrevi o cálculo do meu pagamento, dizendo o quanto na realidade aquele trabalho tinha me custado, devido ao meu tempo extra arrumando o arquivo.

Comunicar algo assim para um gerente de projeto pode ser difícil, e sou contra mandarmos um e-mail com uma mistura de ataques ao outro tradutor, reclamações e ordens exageradas. Vira e mexe temos um pé atrás de que a agência quer sacanear a gente e que o gerente de projeto é um monstro e não vai querer nos ajudar. No entanto, eu acredito que, se nos comunicarmos de forma carinhosa, empática e compassiva, sem esses receios e sem deixar as emoções interfirirem na mensagem, temos mais chance de obter o que queremos ou, ao menos, começar a criar uma parceria com a agência através de uma comunicação limpa e não-violenta.

A comunicação não-violenta é uma abordagem desenvolvida por Marshall Rosemberg que segue uma estrutura baseada em quatro pilares:

  1. Observação: observar os fatos sem fazer julgamento
  2. Sentimentos: identificar os sentimentos em relação à situação
  3. Necessidades: identificar quais necessidades estão associadas a esses sentimentos
  4. Pedidos: pedir certas ações para atender às necessidades identificadas

Veremos, para o exemplo acima da revisão do glossário, como a comunicação não-violenta foi aplicada:

Observação: a tradução estava com uma qualidade ruim e eu, como revisora, fiz o trabalho de pesquisa dos termos, que deveria ter sido feita pelo tradutor. Observe que não há ataques ao outro tradutor (se ele é ruim, descuidado, etc.).

Sentimento: como me senti frustrada por reservar uma hora para o trabalho, mas ter gasto mais que o dobro e ter feito um trabalho que não estava dentro do escopo da revisão.

Necessidade: da próxima vez, preciso saber que o trabalho de revisão envolverá também pesquisa dos equivalentes terminológicos, não somente uma revisão de gramática, ortografia e verificação de algum deslize do tradutor (que, claro, pode acontecer; não espero que a tradução venha 100% sem nenhuma falha), assim não me sentirei tão frustrada e podemos estimar o tempo necessário para o projeto com mais precisão.

Pedido: que a agência cobrisse, se possível, o tempo total que gastei no trabalho e que da próxima vez fosse mais clara quanto às instruções e o escopo do trabalho.

Resultado: me tornei a nova tradutora primária dentro da agência para aquele cliente específico. A agência me agradeceu pelo feedback (relatado no fato/observação) e que passaria o feedback ao tradutor; se lamentou por eu me sentir frustrada e agradeceu minha dedicação e meus insights (isso possível de acordo com a descrição de como me senti); se dispôs a aumentar o valor pago pelo trabalho para cobrir as horas extras e me informou que de agora em diante eu seria a tradutora primária quando o cliente solicitasse traduções.

A reação da agência provavelmente teria sido outra se eu tivesse escrito algo do tipo: “O tradutor mandou um trabalho muito ruim, refiz todo o trabalho, não é justo receber pelo o que fiz, nunca mais quero trabalhar com esse tradutor e nunca mais pegarei trabalhos de revisão.” Eu sei que nem todos escreveriam assim, mas, às vezes, dependendo de como você se comunica, é assim que a outra parte lê a sua comunicação.

Da forma como escrevi, a comunicação com a gerente de projeto foi empática, de parceria, e não repleta de ataques, ordens nem reclamações. E, assim, me rendeu um relacionamento de lealdade com a agência e com o novo cliente.

 

Pesquisa no Google: dicas

Muita gente pensa que tradutor tem vários dicionários na cabeça e sabe tudo de cor e salteado. Porém muitos não sabem que uma parte importante do trabalho do tradutor é a pesquisa. Pesquisar por definição de termos no original, pesquisar por possíveis equivalentes na língua de chegada, pesquisar sites da área que possivelmente usam a terminologia específica, pesquisar imagens para ver se correspondem ao termo de origem e de chegada… há isso e muito mais às vezes para pesquisar ao traduzir.

O blog do HubSpot publicou esta matéria um tempo atrás com “14 dicas para pesquisar no Google como um especialista”. Muitas delas são úteis para nós, tradutores, e agilizam nosso trabalho de pesquisa, nos deixando mais tempo para as demais etapas da tradução. Vale a pena conferir 🙂

Crédito da imagem: rawpixel

Uso da vírgula com a conjunção “e”

Diferença de uso da vírgula em enumeração no inglês e no português

Veja este post sobre o uso da vírgula antes da conjunção “e” no blog Revisão para quê?. Eu li há um tempo e pensei em vir aqui escrever um post rapidinho sobre isso para chamar a atenção para uma regra diferente no inglês (ao concluir uma enumeração), que muitas vezes é copiada erroneamente na tradução ao português.

Vejamos o ponto abaixo colocado pela Carol Machado do blog em questão:

Quando não usar vírgula antes do e

Casos em que devemos dispensar a vírgula:

Quando o e conclui uma enumeração:

  • Várias línguas— francês, italiano, alemão e rético — se falam na Suíça.
  • Eis três mulheres bíblicas: Sara, Rebeca e Lia.

Exemplos retirados de Rocha Lima (2011, p. 317).

Note acima que, no português, a vírgula não deve ser usada ao concluir uma enumeração. No inglês, a vírgula é geralmente usada antes do último item enumerado. Ou, mais especificamente, antes do ‘and’ na enumeração. Por exemplo:

  • Last night, I had a salad, rice, fish, and lentils for dinner.
  • My closest friends: Maria, Kris, and Bella.

Por que estou tocando nesse ponto? Porque, como sabem, reviso muita tradução de colegas e vejo, cada vez mais, que os tradutores ignoram a regra do português e seguem a pontuação do original, incluindo a vírgula ao concluir a lista de itens enumerados. Isso resulta em frases com a vírgula usada incorretamente antes da conjunção “e”, como abaixo:

  • Ontem à noite, comi salada, arroz, peixe, e lentilhas no jantar. (uso incorreto)
  • Minhas amigas mais chegadas: Maria, Kris, e Bella. (uso incorreto)

Como explicado pelo Revisão para quê?, essa última vírgula na enumeração antes da conjução “e” não existe. Por isso falei que o post seria rapidinho – só para vir lembrá-los dessa diferença entre o português e inglês.

Obs: Sempre gosto de ressaltar que esses apontamentos não são para criticar os colegas tradutores, mas para lembrá-los das diferenças entre o português e o inglês, e, assim, ajudá-los a melhorar a qualidade de suas traduções.