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As 10 principais dúvidas sobre tradução NAATI

No começo do mês, fiz uma Live no Instagram (@sofia.tradutora.naati) com a querida Renata Oliveira-Munro (Oliveira Translations), também tradutora certificada pela NAATI e minha super colega de trabalho e companheira no Carambola Collective. Batemos um papo sobre as 10 dúvidas mais frequentes que os clientes têm sobre tradução oficial de documentos para a Austrália (tradução NAATI).

Abaixo seguem os pontos discutidos.

1 – É necessario que minha tradução seja feita por tradutor certificado NAATI?

Na Austrália, a profissão de tradutor é “regulamentada”. Para se trabalhar como tradutor na terra dos cangurus, deve-se prestar a prova de certificação da NAATI (National Accreditation Authority for Translators and Interpreters) – e passar, é claro! – e renovar a certificação a cada três anos. Assim, a maioria dos órgãos e entidades australianas pede que as traduções sejam feitas por um tradutor certificado pela NAATI. Alguns brasileiros já trazem seus documentos traduzidos por um tradutor público no Brasil (“tradução juramentada”), mas chegando na Austrália têm que retraduzir os documentos, pois os órgãos solicitam que as traduções sejam realizadas por tradutor NAATI. Por isso, para evitar dor de cabeça e atraso no seu processo de visto, recomendamos já buscar diretamente um tradutor que possui certificação da NAATI desde o início.

2 – Qual a diferença entre tradução juramentada, simples e certificada?

A tradução juramentada é a tradução oficial feita por um tradutor público no Brasil. O tradutor público exerce esse cargo após ter sido aprovado em concurso público e a tradução juramentada tem valor legal, sendo um documento oficial com fé pública, porém não na Austrália.

A tradução simples é aquela que não tem caráter oficial, ou seja, não é juramentada no Brasil, nem certificada por carimbo de tradutor NAATI na Austrália. Também pode se referir às traduções sem caráter oficial que não contêm terminologia técnica.

A tradução certificada no caso da Austrália é a tradução realizada por um tradutor NAATI. Ela leva o carimbo e a assinatura do tradutor e é datada. Por ser a tradução oficial na Austrália, muitos a chamam de “tradução juramentada” ou “tradução juramentada NAATI”.

3 – A tradução NAATI tem vencimento?

A tradução NAATI não tem vencimento. Esse é um ponto bem confuso, pois nosso carimbo de tradutor NAATI contêm uma data “de validade” (Valid to). No entanto, essa data é a data de validade da nossa certificação, que tem que ser renovada a cada três anos. Dessa forma, a data Valid to só quer dizer que o tradutor estava apto a traduzir, ou seja, a certificação estava válida na data em que a tradução foi realizada. Mais explicação sobre isso nas FAQs.

4 – Posso traduzir o documento eu mesmo para que o tradutor só assine?

Não. Como dito acima, os tradutores NAATI passam por uma prova para receber a certificação e têm que renová-la a cada três anos, demonstrando também que cumprem com o Código de Ética do tradutor. Pegar uma tradução realizada por outra pessoa e só carimbá-la e assiná-la é anti-ético. Além disso, o fato de sermos tradutores certificados indica que somos qualificados a traduzir, temos entendimento da profissão e nuances das línguas e culturas envolvidas, e temos um estilo tradutório próprio.

Caso você esteja com dificuldades para pagar pelas traduções, ao invés de fazer essa proposta anti-ética ao tradutor NAATI, pergunte se é possível pagar em parcelas, se existe algum programa de desconto ou promoção no momento. Entendemos que o custo com vistos, estudos e imigração é caro, e a isso somam-se também os gastos com tradução. Mas tentamos ser flexíveis quanto ao pagamento; é só conversar com a gente.

5 – Qual a diferença entre uma tradução resumida (extract translation) e uma tradução integral (full translation)?

A tradução resumida, ou extract translation, é a tradução das informações mais relevantes do documento, que são extraídas (daí “extract translation”) e traduzidas.

Mas por que solicitar uma extract translation ao invés de pedir a tradução do documento todo? Alguns documentos são bastante prolixos, isto é, usam palavras em excesso ou podem ser simplesmente extensos, quando você precisa apenas apresentá-lo para mostrar evidência de algum dado em particular. Por exemplo, suponhamos que você tem que apresentar os salários recebidos no extrato bancário nos últimos meses. Ao invés de traduzirmos todas as várias páginas do extrato bancário, extraímos as informações relevantes (os dados da conta, do cliente, do banco, e as linhas com os créditos salariais). Ou de repente você tem um contrato social de 7 páginas, mas vai usá-lo apenas para comprovar que era sócio de tal empresa. Ou seja, algumas cláusulas desse contrato não serão relevantes para o seu caso ou para o órgão que receberá a tradução. Aí a extract translation é uma boa saída.

Já a tradução completa, ou full translation, é a tradução do documento todo, incluindo carimbos, autenticações, reconhecimentos de firma, entre outros detalhes do texto. Nada fica de fora.

6 – Quais os documentos que preciso traduzir?

Como tradutoras NAATI, não conseguimos acompanhar os requerimentos de todos os órgãos e o que é preciso para cada visto, em cada processo de reconhecimento de diploma ou os requisitos das universidades. Ficamos mesmo encarregadas das traduções. Assim, o mais prudente é verificar com as entidades com as quais você está em contato ou conversar um agente de imigração. Mais sobre isso nas FAQs.

7 – E o valor? Por que custa o tanto que custa? Ah, é só uma página, não tem quase nada escrito, é rapidinho; não precisa custar tanto…

O fato de muitos dos clientes falarem inglês faz dessa uma pergunta bastante comum. No entanto, a verdade é que o tradutor NAATI é um profissional altamente qualificado, que passou por um processo seletivo (a prova de certificação) e tem não apenas qualificações tradutórias, mas também culturais e éticas necessárias para exercer a profissão. Dessa forma, o tradutor NAATI não sabe apenas duas línguas; tem um conhecimento de tradução e linguística, das culturas envolvidas na tradução e também de ética profissional. Isso tudo conta na hora de passar um orçamento, pois a certificação não foi adquirida do “nada” ou só por falarmos duas línguas. Teve estudo por trás. E tem estudo e desenvolvimento profissional durante e depois. Um dos requisitos para renovar nossa certificação a cada três anos é o de realizar várias atividades de desenvolvimento profissional ao longo desse período, com a intenção de assegurar que o tradutor NAATI esteja acompanhando o desenvolvimento linguístico e do mercado, entendendo de ética e aplicando-a, e aprimorando seus conhecimentos. Isso custa e reforça, novamente, que não apenas falamos duas línguas, temos uma qualificação e treinamento amplo para traduzir seus documentos com qualidade.

Diferentes documentos também podem ter uma complexidade terminológica diferente, independente do tamanho do documento. Isso também é considerado no preço.

8 – Será que você pode alterar meu documento e trocar a data da validade? Ou pode mudar o título da minha qualificação para ficar equivalente ao que é na Austrália? O nome da minha mãe está escrito errado. Você pode corrigir, por favor?

Nós tradutores seguimos o Código de Ética do tradutor. Na prova que prestamos da NAATI para conseguir a certifcação, passamos também por um teste de ética, e temos que comprovar a cada três anos que estudamos sobre ética. Um dos pontos cruciais do código de ética é accuracy, ou, em português, precisão, exatidão. Dessa forma, temos que traduzir nomes, títulos, cargos, números, etc., conforme se apresentam no documento original, sem omissão ou distorção. Se o sobrenome da sua mãe é “Silva”, mas na certidão de nascimento está escrito “Silvo”, a tradução seguirá o original e levará também “Silvo”. A mesma coisa para cargos. Se seu cargo foi Coordenador de Marketing e você está solicitando seu visto com base nesse cargo, porém o holerite ou a carta de referência da empresa contiver Especialista em Marketing, a tradução será baseada no documento original, mesmo se diferir do cargo que você realmente ocupou ou que está usando na solicitação do seu visto.

A saída nesses casos é pedir para a empresa emitir outra carta de referência com o nome do cargo correto ou achar uma solução com o seu agente de imigração. No caso de nome ou sobrenome errado, a solução seria pedir nova emissão do documento com o nome corrigido.

Também não podemos alterar a data de validade dos documentos. Se sua CNH venceu meses atrás, ao fazermos a tradução teremos que colocar a mesma data de validade da carteira de condução original. O mesmo vale para data de validade de outros documentos (antecedentes criminais, por exemplo). E não adianta insistir. É absolutamente anti-ético traduzirmos essas informações de forma diferente do original.

9 – Eu preciso te mostrar o documento original? Ou posso fazer uma cópia ou foto e te mandar por e-mail, WhatsApp?

Pode, sim, enviar tudo por e-mail. A maioria dos processos de imigração hoje e de outras entidades australianas é online. Assim, o documento original pode ser enviado online e na maioria dos casos enviaremos também as traduções a você apenas em formato digital. Lembre-se só de enviar cópias legíveis ou, no caso de fotos, fotos nítidas e sem dedos.

10 – Ah, ouvi falar que posso conseguir 5 pontos para adicionar no meu visto de residente se virar tradutor NAATI? Como faço para conseguir isso?

Esses 5 pontos no sistema de vistos de migração da Austrália podem ser obtidos se você prestar e passar no CCL Test. E o CCL Test não torna o candidato tradutor certificado. Essa foi uma maneira que a Imigração encontrou para ajudar os possíveis imigrantes a conseguirem mais pontos sem precisar passar pela prova profissional para se tornar um tradutor certificado. No passado, no entanto, era assim – para obter mais pontos, o candidato tinha que prestar a prova de certificação, envolvendo tradução e ética, mesmo se nunca fosse trabalhar como tradutor.

O CCL Test é, na verdade, uma prova de interpretação, na qual o candidato mostra seus conhecimentos das línguas (sua língua nativa e o inglês) em um nível comunitário. Assim, se você não quer fazer da tradução sua carreira, mas precisa dos 5 pontos para seu processo de visto, o melhor é fazer o CCL Test, não a prova de certificação para virar tradutor NAATI.

Espero que eu e a Renata tenhamos ajudado a responder as principais dúvidas sobre tradução certificada NAATI. Se ainda tiver dúvidas, entre em contato.

Drive thru no Brasil

Com a quarentena mudando nossos hábitos de compra, mudando também está nossa língua. Agora no Brasil não se faz mais entrega nem retirada de pedidos. Agora o comércio faz delivery e drive thru. E isso mesmo, a coleta nem pick up é. É drive thru mesmo. Ou drive-thru. A gosto do freguês. Só drive through que é pedir demais. E não se engane: você não passará com seu carro, sem sair dele, por parte do estabelecimento para pegar seu pedido como faria nas redes de fast food ou em algumas lojas que vendem bebidas alcoólicas (os famosos bottle shops) na Austrália. Você parará seu carro na rua, descerá dele, irá até a porta da loja e aí coletará sua encomenda.

Você já deve ter ouvido falar que a língua é viva e está em constante mudança. E há muitos agentes que levam a essa mudança. Lembre-se que não falamos como se falava há cinquenta anos. Falamos o português do ano 2020, com todas as suas particularidades, seguindo o momento atual. A geração do ano 2090 olhará pra trás e poderá achar nosso português de 2020 estranho. Um desses agentes de mudança são os próprios fenômenos culturais e sociais, que explicam bem o uso de drive thru nesse momento de pandemia e quarentena, junto ao fato de precisarmos usar certas palavras com mais frequência nesse período de isolamento. As pessoas vivenciam coisas diferentes a todo o momento e, no mundo globalizado e informatizado atual, nos influenciamos por coisas de outras culturas. E o brasileiro é bom nisso no quesito língua!

Eu acho essa coisa de a língua mudar, se adaptar e incorporar novas palavras incrível. E no Brasil, engraçada. Porque a criatividade dos brasileiros não tem limites e muitas vezes leva à certa perda por quererem usar uma palavra estrangeira que nem mesmo segue o significado original. Ainda assim, acho maravilhoso. Quando começaram as notícias sobre o auxílio emergencial em tempos de covid, muita gente estava chamando o auxílio de “corona voucher”. Não é demais? Há tradutores e linguistas que torcem o nariz. Mas, vejam, acho que muita gente torcia o nariz com o hoje natural “outdoor” (de propaganda nas ruas) quando assim começou a ser usado. Agora faz parte do nosso vocabulário! Daqui a uns anos drive thru também será natural. Ou drive tru. Talvez draive tru. Não sabemos. Mas é melhor irmos nos acostumando, porque o termo já pegou.

(Obs: talvez o uso de drive thru para coleta já fosse usado antes da pandemia, mas agora vejo de forma evidente. Nunca na Austrália ouvi nenhum brasileiro “novo” [que acabou de chegar na terra dos cangurus] falando drive thru nesse contexto de retirada/pick up. Obviamente minha nova vivência no Brasil é recente, então essa é uma reflexão do que vejo hoje).

Live sobre tradução NAATI

Olá!

Nesta segunda-feira, 4 de maio, farei uma Live no Instagram com a querida tradutora Renata Oliveira Munro, para tirarmos as 10 dúvidas principais que os clientes têm sobre tradução NAATI.

É muito comum os clientes solicitando visto na Austrália ou reconhecendo sua profissão por lá terem dúvidas quando leem no site da imigração que precisam de tradução feita por um tradutor certificado pela NAATI.

Mas é juramentada? Posso levar/usar a tradução feita por tradutor público do Brasil? Tem validade? E o preço? É só uma página, quanto sai?

Essas e outras perguntas responderemos na Live.

Quando: 4 de maio⁣ (seg)
🇧🇷 7:30 (horário de Brasília)⁣
🇦🇺 20:30 (horário de Brisbane)⁣
Onde: Instagram @sofia.tradutora.naati

Não percam! Se sobrar tempo responderemos perguntas do chat. Até lá!⁣

11 dicas pra quem trabalha de casa

No começo do mês, participei de uma “live” no Instagram com a querida amiga portuguesa Joana Feiteira, que, como muitos, começou a trabalhar de casa por conta da pandemia. A Joana comentou em um de seus stories sobre a dificuldade que estava tendo de trabalhar de casa. Ela não é da área de tradução, mas como eu trabalho no esquema home office há muitos anos, achamos que um bate-papo sobre o assunto, com dicas para quem está vivendo isso pela primeira vez, poderia ser uma boa.

Segue um resumo da nossa conversa (a Joana é a autora desse resumo, o qual ela publicou no Instagram, com adaptações minhas para o português brasileiro), que poderá te ajudar, seja você tradutor começando sua carreira autônoma ou um cliente que também teve que fazer a transição para o home office:

  1. Não trabalhar de pijama: coloque uma roupa confortável, mas apropriada para o trabalho; será mais fácil para a mente fazer essa separação.
  2. Rotina matinal: ter uma rotina matinal é ainda mais importante quando trabalhamos de casa. Tempo para nós, para tomar café da manhã, para exercício ou meditar, são uma enorme ajuda para nos preparmos para o dia de trabalho. Não cometa o erro de saltar da cama para o computador.
  3. Exercício físico e meditação: duas práticas saudáveis, tanto para a mente como para o corpo. Encontre tempo ao longo do dia para cuidar de você.
  4. Timer: super útil, tanto para “forçar” a trabalhar mais um pouco quando ainda não trabalhou assim tanto, mas também para dizer quando tirar uma pausa ou parar.
  5. Foco e disciplina: muitas vezes chegamos ao fim do dia cansados, mas com a sensação de que não produzimos. Isso deve-se ao fato de não estarmos suficientemente focados. Lembre-se de eliminar distrações ao seu redor, como televisão, celular ou redes sociais.
  6. Planejamento diário: programe o dia e as refeições no dia anterior. Isso ajudará a ser mais produtivo e não perder mais tempo do que o necessário na preparação de refeições.
  7. Separar o escritório do resto da casa: se não tiver essa possibilidade ou, como a Joana, morar em uma kitchenette, pode fazer essa separação com um biombo, lençol, canga ou toalha.
  8. Técnica Pomodoro: trabalhar sem pausas durante 25 minutos e descansar 2 ou 3 minutos (pesquise no Google para mais informações sobre a técnica e aplicativos que ajudam nesse controle).
  9. Horário de trabalho: não se esqueça de definir o horário de trabalho e saber quando parar. Fale com a sua família e amigos, e mantenha a vida social, ainda que virtualmente.
  10. Usar post-it: use post-it com mensagens para lembrar de coisas simples, mas importantes, como sorrir ou telefornar a alguém.
  11. Gentileza: seja gentil consigo mesmo e não se cobre se não seguir o plano.

Obrigada, Joana!

A Joana é portuguesa e mora em Sydney, Austrália, é especialista em comunicação,  contadora de histórias e apaixonada por viagens. Perfil no Instagram: @joana_feiteira

NAATI e prova CCL

Há alguns anos a imigração australiana vem dando mais pontos no sistema de pontos para vistos àqueles que apresentarem habilidades com línguas. Para comprovar essas habilidades sem precisar virar tradutor, os imigrantes agora podem prestar o CCL (Credentialed Community Language) Test.

Recebo muitas mensagens de pessoas migrando para Austrália com a seguinte pergunta: “Vi que você é tradutora NAATI. Estou para prestar o CCL Test. Você pode falar como é a prova?”.

A questão é que o CCL Test é uma prova diferente do teste para se tornar tradutor. Para se tornar tradutor NAATI, é preciso prestar a prova de certificação. O CCL Test é uma prova de interpretação comunitária apenas pra demonstrar a habilidade do candidato com o inglês e sua língua materna. Ao passar no CCL Test, o candidato não se torna tradutor; apenas ganha os pontos para usar no sistema de pontos para solicitação de visto.

Infelizmente não ofereço treinamento para tal teste. Porém o site da NAATI contém informações detalhadas sobre o CCL Test e FAQs para os candidatos. A prova é cara, há algumas regras (como pedir para repetir algum segmento, penalidades e tempo máximo da prova) e alguns requerimentos (como usar o registro e estilo corretos). Por isso, é importante ler todas as informações com atenção e se preparar com calma.

E, claro, se precisar de uma tradutora juramentada NAATI para traduzir seus documentos durante o processo de visto antes ou depois de passar no CCL Test, estou por aqui! 🙂

Boa sorte!

Nativo ou não nativo? Eis a questão.

Há muito debate no mundo dos tradutores sobre se tradutores devem ou podem traduzir para o idioma que é sua segunda língua. Muitos acreditam que os tradutores só devem traduzir ao seu idioma nativo; outros entendem que há tradutores com qualificação suficiente para traduzir ao seu segundo idioma.

Os tradutores certificados pela NAATI na Austrália passam por uma bateria de testes de tradução, cultura e ética profissional antes de serem oficializados tradutores e receberem a certificação e o carimbo para traduzirem. Eu fiz a prova da NAATI nas ambas direções – do inglês ao português e do português ao inglês -, e, para surpresa de muitos, obtive uma pontuação muito melhor quando traduzi ao inglês. Isso significa que, mesmo o inglês não sendo minha língua nativa, sou qualificada para atuar como tradutora NAATI do português ao inglês em um nível profissional, e atendo os níveis profissionais para traduzir nessa direção e atuar na profissão na Austrália.

Vale lembrar que sem um português bom ou sem a capacidade de interpretar corretamente o texto original em português, o tradutor (nativo ou não) não produz uma boa tradução em nenhuma língua. Não basta só saber um pouco da língua de partida; vírgulas e pontuação, aspectos culturais e muitos outros fatores são importantes na hora de interpretar o texto original e passá-lo ao inglês. Imaginem, por exemplo, a sutil diferença entre “todo território” e “todo o território” no português brasileiro. Palavras simples tiradas da carteira de habilitação brasileira (“Válido em todo o território nacional”). Sem entender a sutileza da língua de partida, um não nativo de português poderia pensar que o documento é válido em qualquer território, quando na verdade quer dizer “em todo o Brasil”. Esse é um exemplo simples de uma carteira de motorista. Mas imaginem quantas mais sutilezas não existem num programa de disciplinas ou ementas de 100 páginas de uma faculdade, que precisam ser intepretadas corretamente? O tradutor profissional, mesmo não nativo do português, sabe interpretar essas sutilezas. E mesmo não nativo do inglês, sabe produzir traduções de qualidade.

Tradutor bom e profissional é aquele que tem domínio tanto do idioma de partida quanto o de chegada, e que sabe utilizar ambas as línguas na hora de traduzir, interpretando o original corretamente e passando-o ao outro idioma com precisão e técnica, respeitando aspectos culturais, o tipo de texto e sua finalidade, os requerimentos linguísticos no país de chegada, entre outros.

Conhecer ambas as culturas e ter experiência cultural e de mundo também ajuda a produzir traduções de qualidade. Mais sobre isso neste post aqui.

Ou seja, não devemos selecionar um tradutor apenas por ser nativo ou não do idioma ao qual traduz. Devemos levar em conta outros aspectos também, como qualificação e certificação para traduzir, ética profissional, compreensão linguística e de ambas as culturas e países, profissionalismo, especialidade na área, compreensão terminológica, comunicação gentil e adequada com os clientes e colegas, pontualidade, etc.

Para traduções, sejam elas NAATI ou não, entre em contato.

Vamos falar sobre mídias sociais…

Talvez vocês não saibam, mas eu fiz um curso de marketing para mídias sociais, finalizado no mês passado. Devem até perceber que estou um pouco mais ativa nas diferentes plataformas e até criei uma conta no Instagram pro meu negócio de tradução, coisa que eu estava resistindo…

Mas eu sei, para quem fez um curso específico de marketing para mídias sociais, eu não sigo muito as regras do jogo. Digo, em cursos a gente sempre aprende o beabá e, se quisermos, podemos ficar só com o beabá pra ter sucesso. No entanto eu tento me conectar com aquilo que eu acho certo para o meu perfil. No curso, tivemos muitos estudos de caso de contas e perfis com milhões de seguidores e ouvimos sobre várias “fórmulas” de sucesso (do tipo, como aumentar o número de seguidores em questão de dias…). Eu tive a sorte e o azar de poder basear o curso e os trabalhos no meu próprio business de tradução. Sorte, porque pude, aos poucos, ir ajustando minhas mídias sociais e entendendo o conteúdo que quero compartilhar em cada plataforma. Azar porque, por ser autônoma, em um negócio de microporte, muitas dessas “fórmulas milagrosas” de sucesso para grandes negócios tiveram que ser dimensionadas e ajustadas ao meu caso e ao meu perfil especializado, com expertise, que trabalha com nicho de mercado e que gosta de se conectar com públicos diferentes.

Uma das professoras do curso me ajudou a definir com mais clareza o perfil de cada uma das minhas plataformas, assim consigo planejar melhor o conteúdo e atingir diferentes públicos. Então é isso que eu quero descrever aqui e convidá-los para me seguir nas outras mídias sociais, pois, no geral, cada uma tem um perfil diferente, com conteúdo diferente.

  • Este blog: em geral, os posts são mais voltados para colegas tradutores. Um espaço onde posso compartilhar um pouco do que sei e um pouco de como trabalho, dando dicas e contando da minha vida profissional. Há também informações sobre as traduções oficiais com as quais trabalho na Austrália como tradutora certificada pela NAATI.
  • Facebook: conteúdo bilíngue diverso sobre tradução e linguística, na maioria das vezes em uma combinação de conteúdo compartilhado (produzido por terceiros) com uma nota minha sobre a minha própria experiência naquele assunto.
  • Instagram: conta voltada para a comunidade brasileira em Adelaide e na Austrália, sobre as traduções NAATI. Como dito acima, essa conta é nova, então posso moldar os posts e o conteúdo com o tempo dependendo dos seguidores.
  • LinkedIn: em geral, conteúdo adaptado dos posts do Facebook (na maioria das vezes em inglês).

E, como sempre, estou aberta a dúvidas e perguntas, e tópicos que vocês queiram que sejam abordados em algumas das plataformas acima 🙂

Até já com mais conteúdo!