Nativo ou não nativo? Eis a questão.

Há muito debate no mundo dos tradutores sobre se tradutores devem ou podem traduzir para o idioma que é sua segunda língua. Muitos acreditam que os tradutores só devem traduzir ao seu idioma nativo; outros entendem que há tradutores com qualificação suficiente para traduzir ao seu segundo idioma.

Os tradutores certificados pela NAATI na Austrália passam por uma bateria de testes de tradução, cultura e ética profissional antes de serem oficializados tradutores e receberem a certificação e o carimbo para traduzirem. Eu fiz a prova da NAATI nas ambas direções – do inglês ao português e do português ao inglês -, e, para surpresa de muitos, obtive uma pontuação muito melhor quando traduzi ao inglês. Isso significa que, mesmo o inglês não sendo minha língua nativa, sou qualificada para atuar como tradutora NAATI do português ao inglês em um nível profissional, e atendo os níveis profissionais para traduzir nessa direção e atuar na profissão na Austrália.

Vale lembrar que sem um português bom ou sem a capacidade de interpretar corretamente o texto original em português, o tradutor (nativo ou não) não produz uma boa tradução em nenhuma língua. Não basta só saber um pouco da língua de partida; vírgulas e pontuação, aspectos culturais e muitos outros fatores são importantes na hora de interpretar o texto original e passá-lo ao inglês. Imaginem, por exemplo, a sutil diferença entre “todo território” e “todo o território” no português brasileiro. Palavras simples tiradas da carteira de habilitação brasileira (“Válido em todo o território nacional”). Sem entender a sutileza da língua de partida, um não nativo de português poderia pensar que o documento é válido em qualquer território, quando na verdade quer dizer “em todo o Brasil”. Esse é um exemplo simples de uma carteira de motorista. Mas imaginem quantas mais sutilezas não existem num programa de disciplinas ou ementas de 100 páginas de uma faculdade, que precisam ser intepretadas corretamente? O tradutor profissional, mesmo não nativo do português, sabe interpretar essas sutilezas. E mesmo não nativo do inglês, sabe produzir traduções de qualidade.

Tradutor bom e profissional é aquele que tem domínio tanto do idioma de partida quanto o de chegada, e que sabe utilizar ambas as línguas na hora de traduzir, interpretando o original corretamente e passando-o ao outro idioma com precisão e técnica, respeitando aspectos culturais, o tipo de texto e sua finalidade, os requerimentos linguísticos no país de chegada, entre outros.

Conhecer ambas as culturas e ter experiência cultural e de mundo também ajuda a produzir traduções de qualidade. Mais sobre isso neste post aqui.

Ou seja, não devemos selecionar um tradutor apenas por ser nativo ou não do idioma ao qual traduz. Devemos levar em conta outros aspectos também, como qualificação e certificação para traduzir, ética profissional, compreensão linguística e de ambas as culturas e países, profissionalismo, especialidade na área, compreensão terminológica, comunicação gentil e adequada com os clientes e colegas, pontualidade, etc.

Para traduções, sejam elas NAATI ou não, entre em contato.